Fluminense pede desculpas e repudia grito de ‘time assassino’ contra o Flamengo

O Fluminense se pronunciou oficialmente após os gritos de “time assassino” por parte de sua torcida no clássico contra o Flamengo, na última quarta-feira. Em nota divulgada em seu site oficial e intitulada “Pelo Fair Play do futebol brasileiro”, o Tricolor classificou a ação como “excessiva” e pediu desculpas em nome dos seus torcedores.

“O Fluminense Football Club manifestou desde o primeiro momento sua solidariedade com as vítimas da tragédia ocorrida no Ninho do Urubu. Portanto, não pode deixar de registrar a inadequação da manifestação de parte de sua torcida ontem, no Fla-Flu, pois soou excessiva ao chamar o Flamengo de time de assassinos”, escreveu o clube na nota oficial.

“Mas, sem abrir mão do pedido de desculpas em nome de sua torcida, o Fluminense aproveita o fato para fazer um apelo de que cessem atitudes semelhantes por parte de todas as torcidas”, diz outro trecho.

O episódio roubou as atenções durante a pausa para hidratação, aos 20 minutos de jogo. A referência foi o incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019, que matou 10 garotos da base do Flamengo. O episódio completará um ano em 8 de fevereiro.

“Aliás temos a certeza de que não só as famílias sofrem com o que ocorreu. O clube sofre, os funcionários sofrem e os dirigentes também. Seremos sempre solidários”, lembrou o Fluminense.

Vale lembrar que a equipe do Flamengo que está atuando no Estadual é formada por atletas do sub-20 e sub-17, embora não haja ninguém que tenha presenciado o incêndio. Ao fim da partida, parte da torcida do Flu voltou a entoar os gritos, depois de os rubro-negros cantarem pelos “Garotos do Ninho”.

Não é a primeira vez que parte de uma torcida rival ao Flamengo grita “time assassino” no estádio. Isso aconteceu após o 4 a 4 com o Vasco no Brasileirão, também no Maracanã.

— Aqui não vai uma crítica a quem fez. Mas vai a reprovação a todo tipo de cântico neste sentido. Publicamos a nota no sentido de dizer que não compactuamos com isso, mas que também não admitimos que seja rotulado à torcida do Fluminense. No Vasco x Flamengo também ouvimos cantarem isso e não vimos nenhum meio de comunicação comentar o que foi gritado. O que a gente não aceita é que no Fluminense seja colocado o rótulo para todos os problemas do futebol brasileiro — destacou o presidente Mário Bittencourt.

Confira a nota oficial

“O Fluminense Football Club manifestou desde o primeiro momento sua solidariedade com as vítimas da tragédia ocorrida no Ninho do Urubu. Portanto, não pode deixar de registrar a inadequação da manifestação de parte de sua torcida ontem, no Fla-Flu, pois soou excessiva ao chamar o Flamengo de time de assassinos.

O fato do clube da Gávea ainda não ter resolvido a questão com todas as famílias, o que não deve ser avaliado por nós, mas sim pelos órgãos competentes, não nos dá o direito de manifestações ofensivas neste sentido, até mesmo porque temos a certeza de que independentemente da responsabilização da instituição na esfera legal, não houve qualquer conduta intencional no triste incidente ocorrido.

Aliás temos a certeza de que não só as famílias sofrem com o que ocorreu. O clube sofre, os funcionários sofrem e os dirigentes também. Seremos sempre solidários.

O fortalecimento do futebol brasileiro passa pelo entendimento de que a paixão verdadeira, embora inevitavelmente distanciada da estrita racionalidade, não pode naturalizar a ofensa como forma de manifestação.

Mas, sem abrir mão do pedido de desculpas em nome de sua torcida, o Fluminense aproveita o fato para fazer um apelo de que cessem atitudes semelhantes por parte de todas as torcidas.

Sem nos estendermos, devemos lembrar casos passados e que não envolveram o Fluminense. Lembrar também de casos atuais. Em jogo recente contra o Flamengo, parte da torcida do Vasco entoou o mesmo cântico repetido ontem por parte da nossa torcida e não vimos qualquer repercussão ou cobrança da opinião pública e das mídias esportivas sobre o fato. Em síntese, não aceitamos que o Fluminense seja mais uma vez rotulado num caso onde todas as torcidas, sem exceção, estão envolvidas. Sem falar no racismo, na homofobia ou no insulto à honra que são costumeiros nos estádios por todo o mundo.

O futebol vive da paixão, mas assim como na vida, não pode se deixar capturar por ela de forma a justificar todo o tipo de atitude inadequada.

Por fim, após relembrar que casos como o de ontem são corriqueiros em todas a torcidas, rogamos para que os olhos e ouvidos da opinião pública e especialmente da imprensa esportiva, estejam sempre abertos e atentos a este tipo de conduta que envolva todo e qualquer clube de futebol”

31/01/2020